O nome vem do latim gutta, gota. É a segunda forma mais comum da doença, atrás apenas da psoríase em placas, e a que mais assusta pela velocidade com que se instala: em poucos dias o corpo se enche de manchinhas. A boa notícia é que a psoríase gutata tem, em geral, evolução mais favorável do que as outras formas, desde que seja reconhecida e tratada cedo.
O que causa a psoríase gutata?
A psoríase, em qualquer forma, é uma doença inflamatória de base genética, em que o sistema imunológico acelera a renovação da pele. Na variante gutata, o gatilho é quase sempre uma infecção, e a mais frequente é a faringite ou amigdalite por estreptococo do grupo A. Entre 56% e 85% das pessoas com psoríase gutata tiveram uma infecção de garganta recente, segundo revisões publicadas. Outros gatilhos descritos são infecções virais, estresse intenso, alguns medicamentos e, em menor grau, lesões na pele.
Isso explica por que a doença aparece "do nada" em quem nunca teve psoríase: a predisposição já existia, e a infecção funcionou como estopim.
Como reconhecer: sintomas da psoríase gutata
- Manchas pequenas, de 2 a 10 milímetros, arredondadas ou ovais, cor de salmão ou avermelhadas.
- Descamação fina e esbranquiçada sobre as lesões, que fica mais visível quando a pele é raspada de leve.
- Distribuição em "chuva" pelo tronco e pela raiz dos braços e das pernas; rosto, couro cabeludo e orelhas podem ser atingidos.
- Coceira leve a moderada em parte dos casos. Nem todo mundo coça.
- Surgimento em dias, não em meses, geralmente depois de uma dor de garganta.
O diagnóstico é clínico, feito pelo dermatologista no exame da pele, com apoio da dermatoscopia. Em casos duvidosos, pode ser pedida biópsia. Também é comum solicitar cultura de orofaringe ou exame de sangue para confirmar a infecção estreptocócica.
Psoríase gutata ou em placas: qual a diferença?
A psoríase em placas forma lesões maiores, mais espessas e persistentes, nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar. A gutata forma lesões pequenas e numerosas, aparece de forma súbita e tende a regredir. Uma parte das pessoas, estimada entre um terço e metade, pode desenvolver psoríase em placas ao longo dos anos. Por isso, mesmo quando as gotas somem, vale manter o acompanhamento. Conheça as outras formas em psoríase: tipos e tratamento.
Quanto tempo dura a psoríase gutata?
Na maioria dos casos, as lesões regridem em três a quatro meses. Há relatos de remissão completa em até 12 meses em cerca de dois terços dos pacientes. Quando o quadro passa de um ano ou começa a formar placas maiores, falamos em psoríase crônica, e o plano de tratamento muda.
Psoríase gutata tem cura?
A psoríase é uma doença crônica, o que significa que a predisposição permanece. Mas a forma gutata é a que mais frequentemente entra em remissão completa e duradoura, muitas vezes sem voltar. Novas crises podem acontecer depois de outra infecção de garganta. Reconhecer esse padrão ajuda a agir rápido.
Como é o tratamento da psoríase gutata?
O plano é individual e depende da extensão das lesões, da idade e do incômodo. As opções, da mais simples à mais intensa:
Tratamento tópico
Para quadros leves: hidratantes, corticoides tópicos de potência adequada, análogos da vitamina D e, em áreas sensíveis, inibidores de calcineurina. O uso é por tempo definido, com orientação sobre onde e quanto aplicar.
Fototerapia
A luz ultravioleta B de banda estreita (UVB-NB) é uma das opções mais eficazes para a psoríase gutata extensa, com boa resposta em poucas semanas. A luz solar moderada também ajuda, mas sem exagero: a queimadura solar pode piorar a psoríase.
Tratar a infecção
Quando há faringite estreptocócica confirmada, o antibiótico trata a infecção. As evidências de que ele encurte a psoríase em si são fracas, por isso não se usa antibiótico "por via das dúvidas". A retirada das amígdalas só é considerada em quem tem crises repetidas comprovadamente ligadas a amigdalites.
Medicamentos sistêmicos
Em casos extensos, persistentes ou com grande impacto na qualidade de vida, o dermatologista pode indicar medicamentos orais ou biológicos, seguindo o Consenso Brasileiro de Psoríase.
O que evitar enquanto a psoríase gutata está ativa
Banhos muito quentes, buchas, esfoliantes e roupas que atritam a pele podem fazer surgir novas lesões no local do trauma (fenômeno de Koebner). Álcool em excesso, tabaco e estresse também pioram a psoríase. Hidratar a pele todos os dias é a medida caseira que mais faz diferença. Se houver coceira intensa, não arranhar: fale com o dermatologista para ajustar o tratamento.
A psoríase gutata é uma das situações em que o tempo até o diagnóstico muda o curso da doença. Se você ou seu filho notou manchas em gota depois de uma dor de garganta, procure avaliação. Veja também como diferenciar de outras manchas em pitiríase rósea, que tem apresentação parecida, e os cuidados gerais em pele sensível. Referências: Sociedade Brasileira de Dermatologia e revisão sistemática sobre manejo da psoríase gutata.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.



